
Edição 037 - Bilhões estão sendo perdidos na transição energética brasileira
O que você verá nesta edição:
O desperdício silencioso de energia limpa que já equivale a uma Belo Monte inteira
Como carros elétricos podem evitar apagões — e por que isso ainda não acontece
A disputa bilionária entre megabaterias e hidrelétricas que trava as renováveis
O que Toyota, WEG e Dunlop estão fazendo antes que o risco climático vire prejuízo
As regras que podem liberar ou bloquear bilhões na indústria e no mercado de carbono
Por que minerais críticos, bioeconomia e adaptação climática já são agenda econômica
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Ouça o resumo das análises da Descarbonização Competitiva no Spotify e fique por dentro dos movimentos mais relevantes da transição climática — no seu tempo, no seu ritmo.
O FUTURO DOS CARROS ELÉTRICOS NO
BRASIL ESTÁ SENDO BEM INTERPRETADO?
A InvestNews publicou uma análise levantando questionamentos relevantes sobre os rumos da mobilidade elétrica no Brasil.
Neste vídeo, eu fiz uma leitura crítica desses pontos e aprofundo as implicações para a indústria, o sistema energético e a competitividade do país.
É um conteúdo complementar à edição de hoje, para quem quer ampliar a visão sobre o tema.

ESTA TECNOLOGIA PODE EVITAR
APAGÕES COM CARROS ELÉTRICOS
A Fast Company Brasil noticiou recentemente que a tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G) transforma veículos elétricos em unidades móveis de armazenamento que devolvem energia à rede em momentos de pico. O sistema atua como um estabilizador dinâmico, mitigando o risco de sobrecarga na rede elétrica urbana e permitindo que o excesso de carga das baterias seja reinjetado no sistema nacional quando necessário. 🔗Leia a matéria completa em Fast Company Brasil
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
Penso o conceito do ponto de vista sistêmico: o V2G reduz a necessidade de investimentos massivos em usinas de backup (“peakers”), otimizando o CAPEX da infraestrutura urbana e fortalecendo a segurança energética. Mas isso parece impraticável, pois o nível de flexibilidade sistêmico exige um controle muito difícil. Ainda é preciso ter cuidado sobre os ciclos de carga e descarga das baterias, pois isso pode afetar a durabilidade.
CIENTISTAS USAM CÓPIA DIGITAL
DA TERRA PARA APRIMORAR PREVISÕES CLIMÁTICAS
Segundo a Folha de S.Paulo, foi divulgado que, utilizando computação de alto desempenho, cientistas desenvolveram “gêmeos digitais” do planeta para simular com precisão milimétrica as mudanças climáticas e eventos extremos. A ferramenta permite que governos e corporações testem o impacto de diferentes políticas ambientais e estratégias de adaptação antes de sua implementação no mundo real. 🔗Leia a matéria completa em Folha de S.Paulo
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
Já conhecida de aplicações industriais, a precisão analítica fornecida por gêmeos digitais é uma ferramenta crítica de mitigação de risco para setores expostos à volatilidade climática, como o agronegócio e a logística. Reduzir a incerteza ambiental traduz-se diretamente em prêmios de seguro menores e maior previsibilidade para investimentos em infraestrutura de longo prazo.
HIDRELÉTRICA QUE REBOBINA OU MEGABATERIA: O DUELO DE
SOLUÇÕES PARA TER ENERGIA SOLAR À NOITE
De acordo com o InvestNews, foi anunciado que o setor energético avalia a competição entre hidrelétricas reversíveis, que utilizam excedentes de energia para bombear água de volta aos reservatórios, e megabaterias de íon-lítio (BESS). Ambas as tecnologias visam sanar o desafio da intermitência das fontes solar e eólica, garantindo o fornecimento contínuo de energia limpa durante o período noturno. 🔗Leia a matéria completa em InvestNews
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
O armazenamento é o catalisador para a redução do Custo Nivelado de Energia (LCOE) das renováveis. A escolha depende da região e a disponibilidade natural. Mas é bom frisar que o principal limitador é a falta de regulação nesses tipos de operações.
BRASIL JÁ DESPERDIÇA QUASE UMA
BELO MONTE EM ENERGIA RENOVÁVEL
A Folha de S.Paulo noticiou recentemente que a falta de infraestrutura de transmissão e sistemas de armazenamento adequados forçou o Brasil a descartar uma quantidade recorde de energia eólica e solar gerada em 2025. Esse fenômeno, conhecido como “curtailment”, representa um desperdício de energia limpa equivalente à produção de uma das maiores hidrelétricas do mundo, gerando ineficiência econômica significativa. 🔗Leia a matéria completa em Folha de S.Paulo
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
O desperdício de energia renovável é um risco regulatório e econômico grave que eleva artificialmente o custo da energia para o consumidor industrial. Resolver esse gargalo logístico é urgente para evitar a deterioração da atratividade do Brasil como destino de investimentos em “green manufacturing”. Vale lembrar que hidroelétricas têm disponibilidade imediata, mas deixar de usá-las reduz seu potencial, pois a evaporação de água dos reservatórios é um ponto que até então não precisava ser detalhado. 🎥 Assista este vídeo complementar no meu Instagram
BRASIL ENVIA PRIMEIRA CARGA DE DDG PARA A CHINA
A Compre Rural publicou que o Brasil realizou o primeiro embarque de Grãos de Destilaria Secos (DDG), um subproduto rico em nutrientes derivado do etanol de milho, com destino ao mercado chinês através do Porto de Imbituba, em Santa Catarina. O movimento marca a abertura de um corredor logístico essencial para a comercialização de resíduos processados da bioindústria brasileira. 🔗Leia a matéria completa em Compre Rural
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
A exportação via Santa Catarina demonstra a maturidade da economia circular no setor de biocombustíveis, transformando resíduos em fluxos de receita internacional. Além de um excelente exemplo de economia circular, esse arranjo aumenta competitividade da bioenergia fortalecendo a rota de substituição de fósseis por biocombustíveis. 🎥 Assista este vídeo complementar no meu Instagram

TOYOTA TERÁ FÁBRICA À PROVA DE VENTO
E CENTRO DE PESQUISA DE ETANOL
A Automotive Business noticiou recentemente que a Toyota anunciou planos para tornar suas instalações produtivas mais resilientes a eventos climáticos extremos, ao mesmo tempo em que criará um centro de pesquisa dedicado ao desenvolvimento e à otimização do etanol. A iniciativa faz parte da estratégia da montadora de consolidar a tecnologia híbrida-flex, integrando a matriz energética brasileira a padrões globais de mobilidade de alta eficiência.
O investimento busca proteger ativos industriais frente à crescente volatilidade climática e posicionar o etanol como vetor relevante de descarbonização no portfólio tecnológico da empresa. 🔗Leia a matéria completa em Automotive Business
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
Esta iniciativa representa um clássico movimento de de-risking da cadeia de suprimentos e de proteção de ativos físicos contra eventos climáticos extremos. Ao aprofundar a aposta no etanol, a Toyota cria um diferencial competitivo baseado em infraestrutura já existente no Brasil, acelerando a descarbonização sem incorrer nos elevados custos de transição associados a rotas tecnológicas ainda imaturas. Além disso, a empresa passa a deter uma solução pronta para países com características energéticas semelhantes às do mercado brasileiro.
WEG ANUNCIA CONSTRUÇÃO DA MAIOR
FÁBRICA DE BATERIAS DO PAÍS EM SC
Segundo o Estadão, a WEG anunciou a expansão de seu complexo industrial em Santa Catarina para abrigar a maior fábrica de baterias de lítio do Brasil. A nova planta será voltada ao atendimento de sistemas de armazenamento de energia e aplicações em mobilidade elétrica pesada, acompanhando o avanço da eletrificação industrial e da geração renovável no país.
A iniciativa reforça a verticalização da empresa e sua posição estratégica na cadeia de transição energética. 🔗Leia a matéria completa em Estadão
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
A produção local de baterias cria uma barreira estratégica contra a dependência de importações e a volatilidade cambial, além de reduzir o OPEX de projetos de armazenamento e eletrificação no Brasil. Para o país, trata-se de captura de valor em um elo intermediário da cadeia verde. O próximo desafio estratégico é avançar na produção de células e no processamento de minerais críticos, áreas ainda pouco desenvolvidas apesar do potencial disponível. 🎥 Assista este vídeo complementar no meu Instagram
DUNLOP ADOTA USO DE NEGRO DE
FUMO SUSTENTÁVEL EM LARGA ESCALA
A AutoData publicou que a Dunlop passou a utilizar negro de fumo sustentável, derivado de fontes circulares e processos de menor impacto ambiental, em sua produção de pneus em escala industrial. A mudança reduz a dependência de derivados de petróleo e diminui a intensidade de carbono dos produtos finais.
A iniciativa atende a exigências crescentes de cadeias globais de suprimentos e critérios ESG cada vez mais rigorosos. 🔗Leia a matéria completa em AutoData
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
A substituição de matérias-primas fósseis por insumos sustentáveis mitiga diretamente o risco de futuras taxações de carbono sobre produtos industrializados. Além de reduzir a pegada ambiental, a decisão preserva o acesso da empresa a mercados premium de exportação, onde critérios de sustentabilidade já são determinantes para competitividade.
CABO VERDE MINERAÇÃO IDENTIFICA
NOVA ÁREA DE TERRAS RARAS EM MG
De acordo com o Valor Econômico, a Cabo Verde Mineração identificou uma nova área com depósitos relevantes de terras raras em Minas Gerais. Esses minerais são essenciais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas e outros componentes estratégicos da indústria de tecnologia limpa.
A descoberta amplia o potencial brasileiro em um dos segmentos mais sensíveis da transição energética global. 🔗Leia a matéria completa em Valor Econômico
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
O domínio sobre reservas de minerais críticos é um fator-chave de soberania econômica na nova ordem energética. Ao ampliar a oferta de terras raras, o Brasil pode ascender na cadeia de valor global e se posicionar como fornecedor estratégico. No entanto, sem uma atuação coordenada entre extração, processamento e indústria, há risco real de o país capturar apenas uma fração limitada desse valor. 🎥 Assista este vídeo complementar no meu Instagram

MOVER ELEVA EM ATÉ 12% A EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA DOS VEÍCULOS EM 4 ANOS
De acordo com o Circuito MT, foi divulgado que o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) estabeleceu metas compulsórias de eficiência energética para a indústria automotiva brasileira, com aumento potencial de até 12% no desempenho energético dos veículos ao longo dos próximos quatro anos. O programa atrela incentivos fiscais ao cumprimento de critérios ambientais e tecnológicos.
A iniciativa busca acelerar a renovação da frota nacional, estimular investimentos locais em inovação e alinhar o setor automotivo brasileiro às exigências globais de descarbonização. 🔗Leia a matéria completa em Circuito MT
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
O MOVER utiliza o poder regulatório como instrumento de modernização industrial, criando uma barreira competitiva contra fabricantes tecnologicamente defasados. Além de impor metas, o programa estrutura incentivos a partir da arrecadação sobre peças importadas, premiando inovação e produção nacional. Trata-se de um modelo regulatório com potencial de replicação em outros setores intensivos em energia e carbono.
DESASTRES NATURAIS CAUSARAM PERDAS
DE US$ 5,4 BILHÕES NO BRASIL EM 2025
O Valor Econômico publicou que os desastres naturais intensificados pelas mudanças climáticas geraram perdas financeiras estimadas em US$ 5,4 bilhões no Brasil ao longo de 2025. Os impactos recaíram principalmente sobre infraestrutura, produção agrícola e cadeias logísticas, evidenciando a materialidade econômica dos riscos climáticos.
Apesar de um valor inferior ao registrado em 2024 — ano marcado pelo desastre no Rio Grande do Sul —, o número segue elevado e preocupante. 🔗Leia a matéria completa em Valor Econômico
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
Essas cifras demonstram que a gestão de riscos climáticos deixou de ser uma agenda ambiental para se tornar uma questão de solvência fiscal e financeira. Incorporar resiliência climática à governança de infraestrutura é essencial para evitar erosão do PIB e preservar a atratividade do país para investidores institucionais. A quantificação das perdas é o primeiro passo para direcionar capital à adaptação.
INCERTEZAS LEVAM PAÍSES A RETOMAR
A PRÁTICA DE ESTOCAR ALIMENTOS
Segundo o Valor Econômico, governos ao redor do mundo estão retomando a formação de estoques estratégicos de grãos e alimentos básicos como resposta ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos e à volatilidade na produção agrícola global. A prática reflete a crescente percepção de que segurança alimentar é um pilar central da estabilidade econômica e geopolítica.
A mudança de postura marca uma reversão de décadas de confiança irrestrita nos mercados globais just-in-time. 🔗Leia a matéria completa em Valor Econômico
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
A segurança alimentar tornou-se indissociável da segurança econômica. Essa tendência favorece países como o Brasil, que possuem escala produtiva e potencial para agricultura regenerativa. Ao mesmo tempo, exige cautela: depender excessivamente de uma posição isolada de fornecedor “verde” pode expor o país a disrupções climáticas e logísticas não planejáveis.
EMPRESAS DE CRÉDITO DE CARBONO
AGUARDAM REGULAMENTAÇÃO PARA DESTRAVAR BILHÕES
A Folha de S.Paulo noticiou que empresas de crédito de carbono no Brasil apostam na regulamentação definitiva do mercado regulado para destravar investimentos bilionários em projetos de preservação, reflorestamento e restauração ambiental. A definição do arcabouço legal é vista como etapa final para transformar o capital natural brasileiro em ativos financeiros transacionáveis.
O mercado aguarda regras claras sobre governança, integridade ambiental e mecanismos de precificação. 🔗Leia a matéria completa em Folha de S.Paulo
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
A regulamentação do mercado de carbono é o principal gatilho para destravar CAPEX privado em larga escala. Ao criar previsibilidade jurídica e econômica, a sustentabilidade deixa de ser apenas compromisso voluntário e passa a gerar fluxo de caixa real, financiando a regeneração ambiental por meio de mecanismos de mercado..

MINERADORA IDENTIFICA POTENCIAL DE
TERRAS RARAS EM PARCERIA COM OS EUA
O InvestNews publicou que a mineradora Serra Verde recebeu um financiamento de US$ 565 milhões com participação dos Estados Unidos, com o objetivo de garantir o suprimento de terras raras utilizadas em tecnologias estratégicas. O investimento busca reduzir a dependência norte-americana da Ásia em minerais críticos, essenciais para setores como mobilidade elétrica, geração renovável e defesa.
A operação posiciona o Brasil como peça relevante em uma cadeia global cada vez mais sensível do ponto de vista geopolítico e industrial. 🔗Leia a matéria completa em InvestNews
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
Para o Brasil, o movimento representa a oportunidade de integração a cadeias de valor de alta segurança e relevância estratégica, atraindo capital, tecnologia de extração mais sustentável e acesso a mercados cativos. O risco está em tratar o investimento como iniciativa isolada. Sem uma estratégia industrial coordenada, o país pode novamente capturar apenas o valor da extração primária, deixando de avançar nos elos de maior valor agregado.
BIOECONOMIA ENTRA EM
NOVA FASE E BUSCA GANHAR ESCALA
De acordo com o Valor Econômico, a bioeconomia brasileira inicia uma nova fase, com foco no escalonamento de produtos da biodiversidade que apresentam maior densidade tecnológica. A estratégia passa por integrar ciência florestal, pesquisa aplicada e indústria química e farmacêutica, transformando ativos naturais em soluções de alto valor econômico.
O setor demanda novos modelos de financiamento capazes de combinar capital público, privado e filantrópico para viabilizar projetos em escala. 🔗Leia a matéria completa em Valor Econômico
🔍 ANÁLISE DESCARBONIZAÇÃO COMPETITIVA.
A bioeconomia representa a maior vantagem comparativa estrutural do Brasil na transição climática. O uso de mecanismos de blended finance é essencial para converter biodiversidade em PIB verde, viabilizando um modelo de desenvolvimento resiliente, inclusivo e praticamente impossível de ser replicado por países que não detêm o mesmo patrimônio natural.
PARA LEVAR ADIANTE:
Bilhões estão sendo perdidos não por falta de tecnologia ou capital, mas por decisões que seguem travadas. Apagões evitáveis, desperdício de renováveis e risco industrial real mostram que a transição energética já entrou na fase em que não decidir também custa caro.
A pergunta que fica é: o que, dentro da sua organização, já poderia estar em execução e ainda está parado por falta de decisão?


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