Minha trajetória profissional começou na engenharia, mas, ao longo de mais de 25 anos trabalhando com pesquisa, desenvolvimento e inovação na indústria, aprendi que desenvolver uma boa tecnologia é apenas parte do desafio.
O verdadeiro desafio é identificar quais transformações tecnológicas realmente importam, entender quando elas estarão maduras, conectá-las à estratégia das empresas e criar as condições para que se tornem soluções competitivas e escaláveis.
Foi essa evolução que moldou minha atuação profissional.
Minha formação como engenheiro mecânico e mestre em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da USP criou a base técnica para uma carreira inicialmente dedicada ao desenvolvimento de produtos e tecnologias para a indústria automotiva.
Ao longo dos anos, porém, minha atuação se ampliou. Passei do desenvolvimento tecnológico para a gestão de equipes, portfólios de pesquisa, inovação aberta e estratégias globais de tecnologia.
Minha experiência profissional no Brasil e na Alemanha, trabalhando com equipes e projetos internacionais, reforçou uma convicção: inovação não pode ser tratada como uma coleção de boas ideias.
Ela precisa ser gerenciada.
Isso significa escolher prioridades, avaliar riscos tecnológicos, construir portfólios, conectar universidades, institutos de pesquisa, startups, fornecedores e clientes e, principalmente, transformar conhecimento em resultados concretos.
Foi assim que a gestão estratégica da inovação se tornou um dos principais eixos da minha carreira.
Nos últimos anos, uma transformação passou a ocupar uma parcela crescente dessa agenda: a transição energética.
Eletrificação, biocombustíveis, biometano, hidrogênio, novos materiais, economia circular, reciclagem de baterias e novas formas de produzir e utilizar energia passaram a disputar investimentos, políticas públicas e espaço nas estratégias das empresas.
Minha experiência trabalhando diretamente com diferentes alternativas tecnológicas reforçou uma visão que hoje considero central:
A transição energética não terá uma única tecnologia vencedora.
Regiões, aplicações, infraestrutura disponível, matriz energética e condições econômicas são diferentes. Consequentemente, as soluções também precisarão ser diferentes.
O desafio não é simplesmente identificar qual tecnologia apresenta a menor emissão durante seu uso. É compreender todo o sistema.
Isso exige analisar simultaneamente emissões em ciclo de vida, disponibilidade energética, infraestrutura, investimentos, custo total de propriedade, maturidade tecnológica, capacidade industrial e potencial de escala.
Essa experiência levou a outro conceito que passou a orientar meu trabalho: Descarbonização Competitiva.
Reduzir emissões é fundamental. Mas soluções que dependem permanentemente de custos muito superiores às alternativas existentes dificilmente alcançarão a escala necessária para transformar economias inteiras.
Por isso, acredito que a descarbonização deve ser construída na interseção entre três dimensões:
Impacto ambiental, viabilidade econômica e desenvolvimento industrial e social.
Essa abordagem é particularmente importante para o Brasil.
Poucos países possuem simultaneamente uma matriz elétrica de baixa emissão, disponibilidade de biomassa, produção de etanol e biodiesel, enorme potencial de biogás e biometano, recursos minerais relevantes e uma indústria capaz de desenvolver e produzir tecnologias para energia, mobilidade e infraestrutura.
Mais do que simplesmente importar modelos de transição energética desenvolvidos para outras regiões, o Brasil tem a oportunidade de construir sua própria estratégia.
Nos últimos anos, tive a oportunidade de liderar e participar de projetos que representam exatamente essa combinação entre pesquisa aplicada, inovação aberta e industrialização.
São iniciativas envolvendo motores de alta eficiência utilizando combustíveis de baixo carbono e hidrogênio, biometano, etanol, novos materiais, redução da pegada de carbono de componentes industriais, economia circular e reciclagem e ressíntese de materiais de baterias de íons de lítio.
Projetos desenvolvidos em colaboração com empresas, universidades, institutos de pesquisa e parceiros no Brasil e no exterior.
Essa experiência consolidou uma ideia que hoje resume boa parte da minha forma de pensar inovação:
Uma tecnologia não muda o mundo porque funciona em laboratório. Ela muda o mundo quando consegue ganhar escala.
E chegar à escala exige muito mais do que tecnologia.
Exige estratégia, capital, infraestrutura, pessoas, políticas públicas, modelos de negócio e capacidade industrial.
Ao longo dessa trajetória, também passei a dedicar uma parcela crescente do meu tempo à discussão sobre como empresas e países podem tomar melhores decisões diante das transformações tecnológicas.
Por meio de artigos, palestras, aulas, white papers, vídeos, análises e debates com empresas e instituições, procuro conectar tecnologia, economia e estratégia.
Minha atuação em ambientes de inovação e na discussão da descarbonização da indústria brasileira reforçou ainda mais essa perspectiva.
Não me interessa discutir apenas qual será a tecnologia do futuro.
Interessa entender quais tecnologias podem gerar valor, em quais aplicações, em que momento e sob quais condições econômicas e ambientais.
É nessa interseção entre gestão estratégica da inovação, transição energética e descarbonização competitiva que concentro hoje minha atuação.
Porque o futuro não será determinado apenas por quem desenvolver as melhores tecnologias.
Será determinado por quem souber transformá-las em soluções competitivas, escaláveis e capazes de gerar valor para a sociedade.
Conte-nos seus desafios e dificuldades, e podemos organizar uma interação com o seu time de maneira customizada.